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"Relacionamento mãe e filha – interações delicadas."

(Por Laila Pincelli)

É emocionante ver a menininha toda graciosa a imitar sua mãe: coloca seus sapatos, pega sua bolsa e desfila dizendo ‘Vou tabaiá’. O que faz com que um relacionamento que geralmente se inicia com um amor incondicional, intenso, visceral se transforme, em alguns casos, em palco de desavenças e aridez?
A relação entre mãe e filha passa por transformações ao longo da trajetória de suas vidas: a relação fusional enquanto bebê, admiração e imitação enquanto criança, comparação na fase da adolescência. Tudo isto faz parte do desenvolvimento emocional natural e será decisivo para fases posteriores: a diferenciação entre a menina que se tornou mulher e a sua mãe deve ocorrer.
Aspectos conscientes e inconscientes interferem fortemente nestas relações. Apropriar-se de seus sentimentos e entender a sua profundidade é essencial para o convívio harmônico.
A mãe precisa ajudar sua filha a se desprender e a ir em busca de suas próprias realizações. Mães que não estão suficientemente amadurecidas e resolvidas quanto aos seus desejos e emoções podem ter dificuldade em desempenhar este papel. Nestes casos, vemos filhas buscando realizar as aspirações de suas mães sem se dar conta disto ou mãe e filha que passam a competir como mulheres - competem pela beleza, competem pela realização profissional.
O que fazer para resgatar a relação? Tanto mãe quanto filha precisam ter espaço para suas realizações individuais. Precisam permitir uma à outra um distanciamento e proximidade saudáveis. Se o atrito entre ambas impede o diálogo franco, a ajuda de um profissional psicólogo pode auxiliá-las a perceber onde a relação necessita de ajustes.

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